Papa Francisco pede evitar destruição e morte

Papa Francisco pede evitar destruição e morte

O papa Francisco pediu nesta terça-feira, na missa de inauguração de seu pontificado na praça São Pedro, a defesa do meio ambiente e solicitou aos vários dirigentes que acompanhavam a cerimônia que não deixem que “os sinais de destruição e morte” guiem o mundo.

“Gostaria de pedir, por favor, a todos os que ocupam postos de responsabilidade no âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos ‘custódios’ da criação, do desígnio de Deus, inscrito na natureza, guardiães do outro, do meio ambiente; não deixemos que os sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo”, disse no altar instalado no centro da esplanada.

O papa argentino, que recordou seu “venerado predecessor”, o papa emérito Bento 16, mencionou também João Paulo 2º e pediu aos membros da igreja que se inspirem em São José, “um homem forte, corajoso e trabalhador”, mas de “grande ternura”.

“Nunca esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o papa, para exercer o poder, deve entrar cada vez mais neste serviço que tem seu cume luminoso na cruz, deve colocar seus olhos no serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para proteger todo o povo de Deus e acolher com afeto e ternura toda a humanidade, especialmente os mais pobres, frágeis, os pequenos”, completou.

Diante de vários presidentes da América Latina, incluindo a argentina Cristina Kirchner e a brasileira Dilma Rousseff, o primeiro papa de língua espanhola explicou como entende o comando da igreja, uma instituição com 1,2 bilhão de fiéis e que passa por uma grave crise de credibilidade após uma série de escândalos.

Antes da missa, ele visitou a praça de São Pedro em um jipe branco aberto, abandonando o papamóvel à prova de balas usado por Bento 16. Parou com frequência para cumprimentar algumas pessoas, beijou bebês e saiu do carro em um certo ponto para abençoar uma pessoa com deficiência.

ANEL

O papa escolheu seu anel de pescador –alusão à ocupação de são Pedro, o primeiro papa– em prata folhado de dourado. O anel de Bento 16 e de vários outros pontífices eram fabricados principalmente em ouro.

Desde que foi escolhido, Francisco tem dado vários gestos de que fará uma papado com menos pompa e protocolo em relação a Bento 16. No dia em que foi escolhido, por exemplo, recusou a limusine para ir de ônibus da basílica aos seus aposentos, juntos com os cardeais.

DIFERENTES ESTILOS

A escolha de um anel de prata não é a única diferença de estilo entre o papa Francisco e o papa emérito Bento 16. Desde a primeira aparição pública, quando surgiu no balcão da praça de São Pedro, o novo papa exibiu um estilo mais sóbrio, com a batina, a capa e o solidéu predominantemente brancos.

A vestimenta destoa do vermelho vibrante e dourado usados por Bento 16 quando saiu para saudar pela primeira vez os fiéis, seguindo a tradição de muitos papas antes dele.

Outro detalhe que chamou a atenção na indumentária do novo pontífice foi sua cruz de ferro.

É a mesma que ele carrega desde que foi proclamado bispo de Buenos Aires. Segundo seus colaboradores, ele não a trocou quando passou a ser arcebispo e é possível que ele a mantenha durante seu pontificado.

Bento 16, ao contrário, seguiu a tradição e desde o dia em que assumiu o posto usou apenas cruzes de ouro, algumas delas muito ricamente adornadas.

Finalmente, outra diferença foi que os sapatos vermelhos utilizados por Bento 16 deixaram de ser usados pelo novo papa. A cor vermelha foi uma antiga tradição do papado abandonada por João Paulo 2º e recuperada pelo papa emérito. O vermelho simboliza os mártires da igreja e o sangue de Jesus Cristo, e diziam que os de Bento 16 eram de uma marca de luxo.

O papa Francisco, nas aparições públicas que fez até agora, usou sapatos pretos, como João Paulo 2º.

O novo pontífice, que se definiu como um “humilde” servo, iniciou seu pontificado com um forte pedido de defesa da “criação, a beleza”, o “respeito às criaturas de Deus e ao entorno em que vivemos”, inspirado em São Francisco de Assis, o santo dos pobres e defensor da natureza e da paz.

O primeiro papa jesuíta, que optou pelo nome de Francisco em homenagem ao santo italiano do século 13, fez o pedido pela paz ante 132 dirigentes de todo o mundo presentes, incluindo 31 chefes de Estado, boa parte deles da América Latina.      Fonte

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